"Sonho é destino". "Dream is destiny". You do it to yourself, you do, and that's what really 'happens'. "Tudo que não invento é falso."

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A escrita do vento

 Jornal do Vento



Hoje eu estava tão cansado 

Que dormi de máscara 

Sem pestanejar não tirei

Os sapatos piscando

Mergulhei na cama ainda sonhando

Com a noite anterior sem sono


Quando me deparei com ela

Implacável 

Esmoreci

A realidade é que


Hoje eu estava tão cansado que não me despi 

Dos meus preconceitos

Pré julgamentos 

E pretensões

Antes de dormir

Ousei sonhar


Daí acordei

E ao cair do cavalo

Do cabelo

Pude notar 

O deslumbre por sobre o ombro

A poeira por sobre a nuca

A testa ainda fajuta


O sorriso estampado no cansaço

O cangote e o cangaço

São irmãs gêmeas separadas

No casamento




Boa noite a quem chegou de noite e também dormiu

De máscara

E sem máscaras 




Não ter tempo sequer para apagar as luzes do sapato

Tirar as meias da verdade

E o cadarço do cadafalso



Levou-me a dormir de máscara

Diante da multidão 

Naquele jogo de vôlei 

Altinha e frescobol

Eu não tinha



Foi então que me deparei com ela

A rainha da escola de samba da bateria do meu carro

A cigarra que não para de cantar a noite morena


O socialismo sem trópicos

O capitalismo distópico


A alemã wirklichkeit

Resume 


O latim mundus

O grego geosaber


O tupi terreno guarani

Da pedra gigante de Itaipu

Com o perdão da redundância



Mostrou me que nu está o rei da

Inexistência


A conexão da internet do caos é em 5 g


Toda e qualquer forma de poesia já se perdeu na liquidez moderna

E se achou graças a um aplicado na palma da mão 

Um tablete sem ser de chocolate



Uma nuvem sem ser de algodão

Me incomoda.


Não porque eu esteja excluído 

Mas pelo contrário


É mais difícil fazer a barba

Pelo contrário

Quando se pensa no estresse arrepiado

Pelo contrário

Ao arrepio da lei

Pelo contrário 



O avesso do que disse Caetano

O Abaeté do que Gil cantou

Ou não Chico Buarque trocando

Mensagens por aparelho móvel 

Fez uma canção digital, nos dedos

Dedilhou a realidade da virtualidade

Sem virtude


O devir do homem sem vir

O ver cego

O desvair em desvairada

O evanescer da vaidade

O feminino do mundo quadrado

a masculina forma de alterar artigos


O insubstantivo tempo entre costuras


Tudo isso cura

E fere


Morde e mágoa


Alegra e intempera


Vai e me diz 

Diz-me ela dela sem sabê-la

Ou sabendo

A realidade é

Estar


Presente dado ao passado da luz

Vislumbrando o algoz do solo

Sem som

Sem tom

Sem muro

 Política do homem de ferro

A testa do homem de aço 

A maravilha da mulher homônima


O desjuizo em prejuízo da razão

A filosofia estóica egoica


A contradic ção do homem que age

Pensando na mulher do outro que não existe 


Pois o espelho é 


O cansaço do saber infinito daquele que não sabe de nada


A socrática mania de ser platô


A etctera referência da linguagem


O adjetivo do adjetivo adjetivo

Adjetivado pelo substantivo

Do instante parado 

O tempo entre costuras e o legado

Da grande explosão do nada

Que não pode explodir sem precedente


A inconsequente ideia implantada

A serotonina cafeínada

O mosquito bactericida

A fraternal guerra santa

Que não é fraternal 

Na verdade é suicida

A busca eterno pelo vida

Pelo eterno retorno ao início

Onde quando quanto só havia

Pão

Morre nasce trigo

Vive morre pão


A manteiga nem fora inventada 

Ação humana

Humorado muito bem

Engraçado ao extremo 

Rindo do fim do início do meio da mensagem


A confusão proposital para não ser direto e Assustar se. Si mesmo.


A formiga que coça a areia

Do tempo do deserto do Saara.

Diz muito mais sobre o sumiço 

O fanestai.

A presença eterna do 


Enxergo aqui o encerramento

O próximo dia terei partido.

Foi ter compartilhado contigo

Estou na sua mente para escrever isso.



Estou entrando em você

Estou sempre no meio

Me veja no espelho. 


Estou vendo, dupla consciência

Simples personalidade

Mais simples

Mais peixe

Mais 

Menos


Bem 

Menos

Bom demais


Inescrutáveis 

Inaudível

Inimaginável

Não enxergável

Para quem não acredita em milagres.


Veja mesmo quem pode estar online! Começa com jovem alemão 

Passa por três casas de internação 

Para se descobrir 


Estava coberto e com medo de quê? Da realidade da cegueira só mundo. 

Salvador. 

Milagre escultor do tempo.


Sabe que todo o respeito se deve

Ao medo

À ira

Não do diabolos deificado divino

Mas da castidade do santo destino


A rasa terra abaixo da grande caixa



A grande caixa contendo água

Pura


A conversão da imaginação em matéria sem ação inerte é além de tudo paradoxo e clique infértil



Não é preciso apagar a luz

Fechamos os olhos e tudo vêm

E vemos, vimos e partimos

Neste nosso relógio sem orbital

Nesta nossa pulseira sem tempo


Não leia o artigo 

Não publique

Pois tudo já foi dito. 


Não há fim nem começo 

Quando se está perdido

Há recadinhos e recaminhos

Que a gente vai abrindo

Que a gente vão contando

Que as telas dos quartos dos quadros pelas janelas em preto e branco eu vejo tudo remoto vão dizendo


Pega num jornal solto no ar

A escrita do vento









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Quem sou eu (em agosto de 2012, pois quem se define se limita, dizem)

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Mais preocupado com a criatura do que com o criador. Existem perguntas muito complicadas. Existem respostas muito complicadas. Existem pessoas que não são complicadas. Existem pessoas que tentam complicar. Eu sou aquela que procura entender; complicando un peu primeiro para poder descomplicar. Quero dizer: se eu entender o problema de forma completa, poderei encontrar a solução mais correta, eu acho. Um sonhador, dizem. Mas não creio apenas em sonhos. Gosto mesmo é da realidade, empírica ou não. Gosto de estudar sociologia e biologia. Sou acima de tudo, e pretensamente, um filósofo, no sentido mais preciso da palavra: o sentido do amor a sabedoria, ao saber. Mas a vida é para ser levada com riso e seriedade. Sabendo-se separar uma coisa da outra, encontraremos nosso mundo, nosso lugar, nossa alegria. Nossa Vida, com letra maiúscula! "o infinito é meu teto, a poesia é minha pátria e o amor a minha religião." Eu. Um ídolo: Josué de Castro; um livro: A Brincadeira (Milan Kundera) ; um ideal: a vida.