Vislumbre à janela
[da alma
Vede um prédio
[e vinte andares
Andarilhos sobre seus andares,
[térreos
Terráqueos, atacam-nos o céu de Iraque:
Ferroso, com um azul para o cinza
Confunde-me à madrugada da alma...
Acorda-me do pesado insistir
Intento suster-me sem peso
E peço ao re-caminho o endereço
O pedaço do papel que me esconde
Que não me assombre
Mostre-me a face oculta da Lua
Do seu enamorado dia, desviante
Da luz de raios que cegam
Antes da matina, outorga, por decreto, um a priori,
Na contra-mão do sentido, inverte o sentido
[em fúria.
E assim expulsa demônios
[da Garoa,
Com os quais vêm à praça,
[beber
Janelas do abismo de senso de erro de acerto.
Desajustado em minúcias, não durmo no profundo
E profícuo, o prolixo esconde-se no mistério
[ (e vive-versa)
Nas redondezas da séria gravidade-verdade que é a felicidade:
[o inconsciente é quem sente
"Sonho é destino". "Dream is destiny". You do it to yourself, you do, and that's what really 'happens'. "Tudo que não invento é falso."
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sábado, 14 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
A part of us
A part of us
All one
all alone
all of you
I love you
I have failed in love
I felt apart
A part of an artistic
Arrhythmic heart
I might feel pain
One heart or strain
In the air, sustain a sea
Non-see over nonsense
All are one
It is all about a name
We maintain our souls abroad
They should be a part of us
All of you
All one
all alone
all of you
I love you
I have failed in love
I felt apart
A part of an artistic
Arrhythmic heart
I might feel pain
One heart or strain
In the air, sustain a sea
Non-see over nonsense
All are one
It is all about a name
We maintain our souls abroad
They should be a part of us
All of you
sábado, 31 de maio de 2014
Das Luas de maio
Cinco minutos de Sol à meia noite
Era a Lua, cheia de mel
Nascida amarela, crescida branca
Como sói no alto Oriente
Se punha em teimosia, estava plena
O estafamento do amanhecer a impedia e pedia
Simultânea mente
Pedia para acreditar apenas no Espaço
Incontido de versos, e erros
Impedia rumar silenciosamente ao Nada
E, errante, estava certa do rumo.
Há prumo em palavras
As brumas da noite de lava inversa
A Lua das noites de maio inverno
Há agrura e defenestração ao meio
Mesmo sabendo que junho lhe aguarda
Decerto o que é sólido pode sublimar
Por isso, extraia-me o insólito desejo
E pule comigo a catraca
A qual nos impede ir e vir - livremente
Não se faça sofrer ou amarre em correntes
E se derrame
Se der, ame.
Se não der, livre-se destas
YCO 31-05-14
domingo, 11 de maio de 2014
À Família
À Família
Vai ao Céu a alma imortal;
Descansa o corpo pleno.
A metempsicose aguarda.
Da vida sobram as boas memórias;
Da morte, soçobram as inglórias.
Certamente, prossegue a vida!
Sem o Cronos, continuamos vivos em outra medida.
É mais feliz a vida que segue em frente
E vê o azul mesmo diante da tempestade.
Vê o azul adiante, em outra metade.
Assim, guarda nas eternas idades os amigos;
Resguarda na eternidade as amizades.
Estamos aqui para lembrar de sua vida,
Seu exemplo de ombridade.
Estamos presentes enquanto conhecidos,
Família, em amizade. Seguimos singrando,
Prosseguimos confiando nos exemplos,
Nas memórias, e no talento para remar.
Vislumbramos além-mar vosso brio,
Lembramos do homem que dirigia, remava,
Ordenava, intrépido, para que vivêssemos!
Da alegria em voz grave
À bondade em tom maior.
Do amor extensivo à família e ao labor.
Despedimo-nos com estas certezas, e com o chamado de Hipnos
Sabemos que Deus o conteve para o seu bem.
Sua estada na Terra, apesar de bem dispersa,
Estamos certos de que foi breve e tenra.
E porque a coragem em si sempre deteve,
Dá-nos força para seguir em frente!
Vamos em frente!
Que o brio do nosso tio mais experiente nos comova!
E nos mova em direção semelhante quanto ao caráter!
Quanto à luta incessante pela vida justa, pela boa vontade, pela coragem
De viver-amar se há tempo!
Que o tempo que nos resta nos seja generoso!
Vai ao Céu a alma imortal;
Descansa o corpo pleno.
A metempsicose aguarda.
Da vida sobram as boas memórias;
Da morte, soçobram as inglórias.
Certamente, prossegue a vida!
Sem o Cronos, continuamos vivos em outra medida.
É mais feliz a vida que segue em frente
E vê o azul mesmo diante da tempestade.
Vê o azul adiante, em outra metade.
Assim, guarda nas eternas idades os amigos;
Resguarda na eternidade as amizades.
Estamos aqui para lembrar de sua vida,
Seu exemplo de ombridade.
Estamos presentes enquanto conhecidos,
Família, em amizade. Seguimos singrando,
Prosseguimos confiando nos exemplos,
Nas memórias, e no talento para remar.
Vislumbramos além-mar vosso brio,
Lembramos do homem que dirigia, remava,
Ordenava, intrépido, para que vivêssemos!
Da alegria em voz grave
À bondade em tom maior.
Do amor extensivo à família e ao labor.
Despedimo-nos com estas certezas, e com o chamado de Hipnos
Sabemos que Deus o conteve para o seu bem.
Sua estada na Terra, apesar de bem dispersa,
Estamos certos de que foi breve e tenra.
E porque a coragem em si sempre deteve,
Dá-nos força para seguir em frente!
Vamos em frente!
Que o brio do nosso tio mais experiente nos comova!
E nos mova em direção semelhante quanto ao caráter!
Quanto à luta incessante pela vida justa, pela boa vontade, pela coragem
De viver-amar se há tempo!
Que o tempo que nos resta nos seja generoso!
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O que virá
O que virá no após o pós-moderno? A produção em excesso faz com que fiquemos doentes.
Vivemos na fase pós-pós-moderna? Os discursos são vazios, não se sustentam em si, a cosmoética inexiste, e a performance não sendo autocrítica cai em contradição sem perceber e se refaz a todo instante por um devaneio são! Mas como ela não é autocrítica, ela se refaz sem fundamento! O tempo não é linear, é simultâneo, e o que virá é o próprio passado? Mas claro, o que está em construção não pode ser antevisto. Ou antes visto, pode?
Institui-se o querer voltar no tempo para viver o que não se tem mais, o revival, o vintage, o moderno parecendo old, ou o aposto: a sede futurista-retrô quer voltar no tempo indo para o futuro porque ainda se alimenta de ordem e progressos modernos, mas sabe que perdeu algo valioso no passado-presente moderno. A educação técnica cedendo à humanista são imperativos! A era do consumerismo, capitalismo de consumo e exibição, é a tônica invariante! É preciso rever para não esquecer: no meio líquido, absorve-se ou livra-se de tudo por osmose. E o ar é líquido.
Curiosamente, encontramos este debate em arquitetura, música e educação. O museu MAR no Rio, com sua transposição em onda dos estilos "neocolonial" ao século XXI ("pós-moderno?"); o mashup, um dos tipos de remix, e a transdisciplinaridade do ENEM são exemplos dignos...Todos falando a mesma língua! Que é a própria linguagem se auto-afimando, e uma crítica à própria gramática ou ao que ela não contém em si* -pois, se contivesse seria estática-´, e ao discurso moral lógico, de lógica propositiva inconclusiva ou irreal, pois se não verificável praticamente esvai-se em discurso oco. Foucault, Derrida e Habermas no comando. Tourraine, Harvey, Milton Santos nos sorriem. Bauman ri sozinho. Ortiz se diverte. Babba gargalha ao ver a mira apenas em Hegel.
A grande questão é esta: não é possível dar nome ao que se passa, tal wirklichkeit (realidade), pois a ideia é a fluidez, a não apreensão das categorias já existentes para explicar o contemporâneo, devido exatamente à sua mudança expressa! Consumo atrás de consumo, globalização atravessadora de portos e aeroportos, ausência de fronteiras, ideias sem dono, copyleft em prol do mercado! Isto seria ótimo se não fosse altamente contraditório e causador de vertigem! A contradição, não sendo auto-evidente, causa arrepio às ideias sólidas! Que de sólidas tornam-se líquidas e se desfazem em vapor, condensando-se instantaneamente ao fervor do mundo. Ou sublimam à la Marx. O que Fukuyama revira em Hegel à crítica de Marx e antecipara como fim da história é ultrapassado. Porém, a autocrítica que conhece a si mesma tenta evitar o paradoxo, e o capitalismo se reinventando atualiza-se à fase consumerista. A mundialização consubstancia-se na modernidade. E na esteira vem a pós.
De certo ponto de vista, todos sabemos que a formação do Estado se configura com três elementos: território, povo e soberania. E isto posto, para a representação ou apresentação da realidade estes elementos devem existir em um dado conceito de espaço e tempo. Estes sendo Modernos, ao atualizarmos esta lógica metafísica ao presente, nos deparamos com o fenômeno da sociedade em rede, a qual nos adverte ao advento de um espaço de fluxos e um tempo virtual pós-modernos. O plural indica a indissociabilidade de ambos os conceitos, desde Eistein ao menos!
Então, fragmentam-se o Estado, a Nação e o Povo: isto vimos no Brasil nas ruas em junho de 2013. Nada seria mais atual, portanto, do que querer a reconfiguração, querer voltar ao passado, (a)onde se perdeu a cola da identidade nacional. Como aduzimos, a soberania última é a do povo, isto é imprescritível, somente o povo pode comandar. Daí o medo das massas e multidões - do governo.
Mas Como haver Estado de consenso, de ordem, se o povo é multifacetado e aquilo (Ordem pelo Estado) nem sequer é querido? Agora o Estado é urbi et orbis, para além de fronteiras sobre territórios, nação sob comando único de quem está no governo, mas sim um comando oculto, individual e oligopólico em escala global, semelhante ao passado monárquico. Negri assinaria embaixo com o estalo das guerras imperialistas. Então, sumariamente, Portugal indicou o caminho e o Brasil é o re-caminho por coincidência linguistica?! Somos o país do futuro, escreveu um poeta do anátema chamado Stefan Zweig e subscreveu o vigente representante da dominação pós-moderna em discurso no Rio de Janeiro, o Barack Obama...
Acontece que, metafísica ou psicanaliticamente, ao se deparar com uma realidade, ao tempo da sua maturação, eis que ao menos duas possibilidades se entrecruzam ou dicotomizam para o convívio da mente sã: surfar sob a crista desta realidade sabendo da sua perenidade - como fazem os meros especuladores, que, se sábios ou descrentes, não creem no investimento produtivo - ou abrir terreno para a superação, o que vem do novo. Ou o novo. É assim que o novo é amálgama do antigo, do passado, do comum - conhecido. E ao mesmo tempo é algo desconhecido, pelo fator rizoma, reescreveria Deleuze - em seu século já passado. Se como observam atentamente os capitalistas do apocalipse, apostadores das bolsas apenas por diversão, suposições são esperanças no mundo de aparências, resta-nos à la Zizek surfar nesta ocupação e viver nietzscheanamente.
Assim, ao mesmo tempo, o esperar é o saber-não-saber (Sócrates já indicara há cerca de 2,5 mil anos), e só há esperança se se sabe do fracasso. É o sucesso o fim da esperança. Então, quem espera nunca alcança, neste mundo que tenta decompor os tempos...Como se Aión e Kairós fossem vencidos por Chronos numa batalha temporal sem precedentes históricos!... com o perdão da redundância, cutuca-me Chronos.
Porém, o risco maior é a uniformização à característica do mundo: um mundo uniforme e ocre. Sem tons, com pestanas para o cinza...Um mundo sem antropologias...
Retomando, o novo é amálgama do velho se suposições são esperanças. Assim, se investe na bolsa despropositadamente e de um dia pro outro um bilionário deixa de existir e outro surge. Eike Batista vende-se; o What'spp é comprado pelo Facebook. Ideias atravessaram oceanos, discursos inflaram bolsas-de-valores: a realidade se mostrou inexistente e o mundo, em fluxo, migrou como água correndo via rio, ao lago e ao mar. Na contingência incontida do mundo-mar, tudo se refaz. Identidades são um todo e seu oposto perfeito. Portanto, como estabelecer uma nova cosmoética? Em verdade, a própria pergunta já se vê problemática, pois toda ética já deveria ser cosmo, o estabelecimento é algo estático e o novo... é amálgama do velho. E do Comum.
Não há regra ou estética que nos contenha. O mundo de tempo presente e simultâneo correndo líquido, numa sinestesia de Dalí à Harvey, passando por Bauman, nos diz que ao tentarmos capturar o momento, ele se desfaz, nos dando a impressão do jet-lag. Mas não porque o tempo corre com a flecha, e sim porque as possibilidades de entendimento destoam de acordo com o local do observador. O pós-colonial manteve seu segredo. O local faz-se lugar; o lugar faz-se público, e a intimidade é estatelada. Para o bem do mundo, o segredo se mantém com Antropologia! O bem, sim, pois tentar contar o segredo é deteriorá-lo, e se não se dá importância à Antropologia, como entender a vida humana sem demasia?! A contingência dos significados ganha fatores. E estes não se decompõem. Apenas se compõem. Cada vez mais. E são ressignificados. O sentido original é sempre substituído. E o propósito ontológico dele é a própria substituição. Não havendo mais pote para conter a razão, ela transborda. Remédios são precisos para detê-la? Para instituir um limite? Os remédios são as leis, que, em grande medida, viram veneno. O excesso de razão é uma desrazão.
Vimos que a sociedade moderna é a sociedade da lei. Tudo é legal nela. A pós-moderna traz a substituição dos juízes, o fim dos cargos vitalícios, o fim das leis canônicas, a revisão delas. Hermenêutica-aplicada. Há a constatação do erro da localização pelo mapa mundi planificado sem fronteiras e reajustes são necessários em intervalos regulares, como a accountabillity política ou como a regulação dos satélites de GPS: nem o relógio atômico é suficiente para manter o Caos controlado em tal tempo - com o perdão do paradoxo. Assim, esparsos pelos tempos contraídos, nos encontramos em local sem GPS. Desencontramo-nos. A significação, a orientação, a lógica de funcionamento esbarra na própria ideia de haver lógica, de haver função ou significado: tudo que não invento, é falso, martela Manoel de Barros. Este é o significado último do termo pós-moderno, invenção. Re-surrealismo, pós-realismo fantástico. Invenção do real... porque já se sabe viver do falso. E ele cansa. Como os políticos da política pura mas não purista.
Assim, o falso ganha raízes e galhos porque não é podado pela Verdade, a que inspira a Justiça a mover-se. A lógica econômica se estende além da casa; a lógica pessoal transpassa à política e a lealdade é víscera semi-morta: a relação íntima é comprometida por segredos, e assim o mundo não conversa. Apenas desconversa. Acordos não precisam ser cumpridos, afinal o entendimento, viável através da linguagem, também é passível de ressignificação, de interpretação. O Direito é todo hermenêutico. O mundo moderno caducou. O pós, também fica para trás. O pós-pós moderno, talvez o pós-humano, vislumbra vida em outro planeta. Eis a exobiologia! Aforistas a parte, a tese ecológica é a que mais convém, o reciclar...
Parece que o esgotamento dos significados na relatividade absoluta - inconclusiva em si mesma - é o limite do próprio planeta. A ausência de verde incorre em perigo à espécie. E quando sentimentos são substituídos por vontade de potência incontida, o homem mata a si mesmo, superando a morte de Deus, que era apenas a vida contemplativa. Teoria. O sentido do econômico destruiu o sentimento maior. Humanista, Ecológico. O cifrão do conhecimento é o que tilinta mais alto. E como a questão do ovo à galinha, para ter mais conhecimento é preciso mais dinheiro; e para ter mais dinheiro é preciso mais conhecimento. O conhecimento está caro e passado, em revistas científicas ou não mas datadas e pouco acessíveis por excelência.
Não há solução justa dentro d'uma justiça economicista. A desigualdade suposta entre os homens justifica a vida de iniquidades e poluição? De que adiantam 100 mil prédios novos na China, com 1 milhão de apartamentos à venda, se não há compradores com o dinheiro do valor pedido? Quando a especulação age sobre a realidade, só se pode esperar bolhas. Bolhas machucam Aquiles calcanhares. E a esperança é o contrário do sucesso. Quem espera, nunca alcança... no mundo de aparências. Pois, o limite da aparência é a transparência. Mas, o que é muito transparente perde crédito no mundo de juros abismais. Centelhas de corrupção inflamam no ar tóxico. Sentimentos são postos de lado. Palavras desacreditadas dão o braço a torcer às ideias em transmutação.
Ideias assim, infixas, correm o mundo rapidamente. E não se fixando em parte alguma, estão em toda parte. Como, em paradoxo, a Verdade. No entanto, dentro de um mundo de verdadeS, o plural comanda o singular. Não há simplicidade que explique o mundo, pois, perdeu-se a capacidade de comunicação - desde a queda de Babel, alguns rememoram. O que, portanto, de positivo resta ao mundo? Esquecer-se do discurso tradicional. Afinal, "tudo" é discurso antigo. Fora de curso. Mas para esquecer é preciso saber. Amnésia. Não proponho a solução ébria, de modo algum, mas aponto porque muitas pessoas a procuram.
O esquecimento, o apagar - ou agregar - das vertigens provoca vontade de saber, e, consequentemente, vontade de mais vertigem. Gire, mundo, gire! Mas não se esqueça que recordar é viver, e vice-versa!, Diz-nos o paradoxo pós-moderno. Viver é estar em plena memória! Para tanto, é necessário dormir! Mas dormir vai de encontro ao mundo de produção desenfreada, oras! Não durmamos mais!
O sono letárgico do mundo abarca em sonho a vontade, comandada pelo poder, detentor da realidade, refletido pelo medo, degustado pela inércia, impelida pelas forças da natureza humana, plástica, de petróleo. Esta energia insana, que pulsa à velocidade da Terra! E impulsiona o mundo à sede de guerra! Mas guerra só deveria rimar com Terra em Marte! É por isso que queremos colonizar aquele planeta?!
A vontade de intelecto sereno é a justiça com vistas no passado. A justiça deve ser cega, plural, verde, frugal, laica, antropóloga. E atende pelo nome de Amor. Amor quase Romântico. Hipostático, o Amor é aquilo que não pode ser definido mas todos sentem, como o vento. Um movimento do ar, o que faz o mundo girar, inspirando. Amar: doar. Amar, verbo intransitivo. A justiça de um mundo a tal feitio deve ser um Ser muito, muito estranho: deve apenas ter ouvidos e pernas. Minuciosamente, ouvidos para ouvir todos que reclamam e pernas para alcançar os pedidos. O mundo girando à justiça gera paz, ou Terra. Liberdade? É o movimento do Amor, que translada!
* a gramática, assim como a filosofia, sofre com o problema da linguagem: a linguagem não contém e ao mesmo tempo contém o pensamento. O paradoxo denotativo do Conter: conter no sentido de reter e no sentido de limitar.
Vivemos na fase pós-pós-moderna? Os discursos são vazios, não se sustentam em si, a cosmoética inexiste, e a performance não sendo autocrítica cai em contradição sem perceber e se refaz a todo instante por um devaneio são! Mas como ela não é autocrítica, ela se refaz sem fundamento! O tempo não é linear, é simultâneo, e o que virá é o próprio passado? Mas claro, o que está em construção não pode ser antevisto. Ou antes visto, pode?
Institui-se o querer voltar no tempo para viver o que não se tem mais, o revival, o vintage, o moderno parecendo old, ou o aposto: a sede futurista-retrô quer voltar no tempo indo para o futuro porque ainda se alimenta de ordem e progressos modernos, mas sabe que perdeu algo valioso no passado-presente moderno. A educação técnica cedendo à humanista são imperativos! A era do consumerismo, capitalismo de consumo e exibição, é a tônica invariante! É preciso rever para não esquecer: no meio líquido, absorve-se ou livra-se de tudo por osmose. E o ar é líquido.
Curiosamente, encontramos este debate em arquitetura, música e educação. O museu MAR no Rio, com sua transposição em onda dos estilos "neocolonial" ao século XXI ("pós-moderno?"); o mashup, um dos tipos de remix, e a transdisciplinaridade do ENEM são exemplos dignos...Todos falando a mesma língua! Que é a própria linguagem se auto-afimando, e uma crítica à própria gramática ou ao que ela não contém em si* -pois, se contivesse seria estática-´, e ao discurso moral lógico, de lógica propositiva inconclusiva ou irreal, pois se não verificável praticamente esvai-se em discurso oco. Foucault, Derrida e Habermas no comando. Tourraine, Harvey, Milton Santos nos sorriem. Bauman ri sozinho. Ortiz se diverte. Babba gargalha ao ver a mira apenas em Hegel.
A grande questão é esta: não é possível dar nome ao que se passa, tal wirklichkeit (realidade), pois a ideia é a fluidez, a não apreensão das categorias já existentes para explicar o contemporâneo, devido exatamente à sua mudança expressa! Consumo atrás de consumo, globalização atravessadora de portos e aeroportos, ausência de fronteiras, ideias sem dono, copyleft em prol do mercado! Isto seria ótimo se não fosse altamente contraditório e causador de vertigem! A contradição, não sendo auto-evidente, causa arrepio às ideias sólidas! Que de sólidas tornam-se líquidas e se desfazem em vapor, condensando-se instantaneamente ao fervor do mundo. Ou sublimam à la Marx. O que Fukuyama revira em Hegel à crítica de Marx e antecipara como fim da história é ultrapassado. Porém, a autocrítica que conhece a si mesma tenta evitar o paradoxo, e o capitalismo se reinventando atualiza-se à fase consumerista. A mundialização consubstancia-se na modernidade. E na esteira vem a pós.
De certo ponto de vista, todos sabemos que a formação do Estado se configura com três elementos: território, povo e soberania. E isto posto, para a representação ou apresentação da realidade estes elementos devem existir em um dado conceito de espaço e tempo. Estes sendo Modernos, ao atualizarmos esta lógica metafísica ao presente, nos deparamos com o fenômeno da sociedade em rede, a qual nos adverte ao advento de um espaço de fluxos e um tempo virtual pós-modernos. O plural indica a indissociabilidade de ambos os conceitos, desde Eistein ao menos!
Então, fragmentam-se o Estado, a Nação e o Povo: isto vimos no Brasil nas ruas em junho de 2013. Nada seria mais atual, portanto, do que querer a reconfiguração, querer voltar ao passado, (a)onde se perdeu a cola da identidade nacional. Como aduzimos, a soberania última é a do povo, isto é imprescritível, somente o povo pode comandar. Daí o medo das massas e multidões - do governo.
Mas Como haver Estado de consenso, de ordem, se o povo é multifacetado e aquilo (Ordem pelo Estado) nem sequer é querido? Agora o Estado é urbi et orbis, para além de fronteiras sobre territórios, nação sob comando único de quem está no governo, mas sim um comando oculto, individual e oligopólico em escala global, semelhante ao passado monárquico. Negri assinaria embaixo com o estalo das guerras imperialistas. Então, sumariamente, Portugal indicou o caminho e o Brasil é o re-caminho por coincidência linguistica?! Somos o país do futuro, escreveu um poeta do anátema chamado Stefan Zweig e subscreveu o vigente representante da dominação pós-moderna em discurso no Rio de Janeiro, o Barack Obama...
Acontece que, metafísica ou psicanaliticamente, ao se deparar com uma realidade, ao tempo da sua maturação, eis que ao menos duas possibilidades se entrecruzam ou dicotomizam para o convívio da mente sã: surfar sob a crista desta realidade sabendo da sua perenidade - como fazem os meros especuladores, que, se sábios ou descrentes, não creem no investimento produtivo - ou abrir terreno para a superação, o que vem do novo. Ou o novo. É assim que o novo é amálgama do antigo, do passado, do comum - conhecido. E ao mesmo tempo é algo desconhecido, pelo fator rizoma, reescreveria Deleuze - em seu século já passado. Se como observam atentamente os capitalistas do apocalipse, apostadores das bolsas apenas por diversão, suposições são esperanças no mundo de aparências, resta-nos à la Zizek surfar nesta ocupação e viver nietzscheanamente.
Assim, ao mesmo tempo, o esperar é o saber-não-saber (Sócrates já indicara há cerca de 2,5 mil anos), e só há esperança se se sabe do fracasso. É o sucesso o fim da esperança. Então, quem espera nunca alcança, neste mundo que tenta decompor os tempos...Como se Aión e Kairós fossem vencidos por Chronos numa batalha temporal sem precedentes históricos!... com o perdão da redundância, cutuca-me Chronos.
Porém, o risco maior é a uniformização à característica do mundo: um mundo uniforme e ocre. Sem tons, com pestanas para o cinza...Um mundo sem antropologias...
Retomando, o novo é amálgama do velho se suposições são esperanças. Assim, se investe na bolsa despropositadamente e de um dia pro outro um bilionário deixa de existir e outro surge. Eike Batista vende-se; o What'spp é comprado pelo Facebook. Ideias atravessaram oceanos, discursos inflaram bolsas-de-valores: a realidade se mostrou inexistente e o mundo, em fluxo, migrou como água correndo via rio, ao lago e ao mar. Na contingência incontida do mundo-mar, tudo se refaz. Identidades são um todo e seu oposto perfeito. Portanto, como estabelecer uma nova cosmoética? Em verdade, a própria pergunta já se vê problemática, pois toda ética já deveria ser cosmo, o estabelecimento é algo estático e o novo... é amálgama do velho. E do Comum.
Não há regra ou estética que nos contenha. O mundo de tempo presente e simultâneo correndo líquido, numa sinestesia de Dalí à Harvey, passando por Bauman, nos diz que ao tentarmos capturar o momento, ele se desfaz, nos dando a impressão do jet-lag. Mas não porque o tempo corre com a flecha, e sim porque as possibilidades de entendimento destoam de acordo com o local do observador. O pós-colonial manteve seu segredo. O local faz-se lugar; o lugar faz-se público, e a intimidade é estatelada. Para o bem do mundo, o segredo se mantém com Antropologia! O bem, sim, pois tentar contar o segredo é deteriorá-lo, e se não se dá importância à Antropologia, como entender a vida humana sem demasia?! A contingência dos significados ganha fatores. E estes não se decompõem. Apenas se compõem. Cada vez mais. E são ressignificados. O sentido original é sempre substituído. E o propósito ontológico dele é a própria substituição. Não havendo mais pote para conter a razão, ela transborda. Remédios são precisos para detê-la? Para instituir um limite? Os remédios são as leis, que, em grande medida, viram veneno. O excesso de razão é uma desrazão.
Vimos que a sociedade moderna é a sociedade da lei. Tudo é legal nela. A pós-moderna traz a substituição dos juízes, o fim dos cargos vitalícios, o fim das leis canônicas, a revisão delas. Hermenêutica-aplicada. Há a constatação do erro da localização pelo mapa mundi planificado sem fronteiras e reajustes são necessários em intervalos regulares, como a accountabillity política ou como a regulação dos satélites de GPS: nem o relógio atômico é suficiente para manter o Caos controlado em tal tempo - com o perdão do paradoxo. Assim, esparsos pelos tempos contraídos, nos encontramos em local sem GPS. Desencontramo-nos. A significação, a orientação, a lógica de funcionamento esbarra na própria ideia de haver lógica, de haver função ou significado: tudo que não invento, é falso, martela Manoel de Barros. Este é o significado último do termo pós-moderno, invenção. Re-surrealismo, pós-realismo fantástico. Invenção do real... porque já se sabe viver do falso. E ele cansa. Como os políticos da política pura mas não purista.
Assim, o falso ganha raízes e galhos porque não é podado pela Verdade, a que inspira a Justiça a mover-se. A lógica econômica se estende além da casa; a lógica pessoal transpassa à política e a lealdade é víscera semi-morta: a relação íntima é comprometida por segredos, e assim o mundo não conversa. Apenas desconversa. Acordos não precisam ser cumpridos, afinal o entendimento, viável através da linguagem, também é passível de ressignificação, de interpretação. O Direito é todo hermenêutico. O mundo moderno caducou. O pós, também fica para trás. O pós-pós moderno, talvez o pós-humano, vislumbra vida em outro planeta. Eis a exobiologia! Aforistas a parte, a tese ecológica é a que mais convém, o reciclar...
Parece que o esgotamento dos significados na relatividade absoluta - inconclusiva em si mesma - é o limite do próprio planeta. A ausência de verde incorre em perigo à espécie. E quando sentimentos são substituídos por vontade de potência incontida, o homem mata a si mesmo, superando a morte de Deus, que era apenas a vida contemplativa. Teoria. O sentido do econômico destruiu o sentimento maior. Humanista, Ecológico. O cifrão do conhecimento é o que tilinta mais alto. E como a questão do ovo à galinha, para ter mais conhecimento é preciso mais dinheiro; e para ter mais dinheiro é preciso mais conhecimento. O conhecimento está caro e passado, em revistas científicas ou não mas datadas e pouco acessíveis por excelência.
Não há solução justa dentro d'uma justiça economicista. A desigualdade suposta entre os homens justifica a vida de iniquidades e poluição? De que adiantam 100 mil prédios novos na China, com 1 milhão de apartamentos à venda, se não há compradores com o dinheiro do valor pedido? Quando a especulação age sobre a realidade, só se pode esperar bolhas. Bolhas machucam Aquiles calcanhares. E a esperança é o contrário do sucesso. Quem espera, nunca alcança... no mundo de aparências. Pois, o limite da aparência é a transparência. Mas, o que é muito transparente perde crédito no mundo de juros abismais. Centelhas de corrupção inflamam no ar tóxico. Sentimentos são postos de lado. Palavras desacreditadas dão o braço a torcer às ideias em transmutação.
Ideias assim, infixas, correm o mundo rapidamente. E não se fixando em parte alguma, estão em toda parte. Como, em paradoxo, a Verdade. No entanto, dentro de um mundo de verdadeS, o plural comanda o singular. Não há simplicidade que explique o mundo, pois, perdeu-se a capacidade de comunicação - desde a queda de Babel, alguns rememoram. O que, portanto, de positivo resta ao mundo? Esquecer-se do discurso tradicional. Afinal, "tudo" é discurso antigo. Fora de curso. Mas para esquecer é preciso saber. Amnésia. Não proponho a solução ébria, de modo algum, mas aponto porque muitas pessoas a procuram.
O esquecimento, o apagar - ou agregar - das vertigens provoca vontade de saber, e, consequentemente, vontade de mais vertigem. Gire, mundo, gire! Mas não se esqueça que recordar é viver, e vice-versa!, Diz-nos o paradoxo pós-moderno. Viver é estar em plena memória! Para tanto, é necessário dormir! Mas dormir vai de encontro ao mundo de produção desenfreada, oras! Não durmamos mais!
O sono letárgico do mundo abarca em sonho a vontade, comandada pelo poder, detentor da realidade, refletido pelo medo, degustado pela inércia, impelida pelas forças da natureza humana, plástica, de petróleo. Esta energia insana, que pulsa à velocidade da Terra! E impulsiona o mundo à sede de guerra! Mas guerra só deveria rimar com Terra em Marte! É por isso que queremos colonizar aquele planeta?!
A vontade de intelecto sereno é a justiça com vistas no passado. A justiça deve ser cega, plural, verde, frugal, laica, antropóloga. E atende pelo nome de Amor. Amor quase Romântico. Hipostático, o Amor é aquilo que não pode ser definido mas todos sentem, como o vento. Um movimento do ar, o que faz o mundo girar, inspirando. Amar: doar. Amar, verbo intransitivo. A justiça de um mundo a tal feitio deve ser um Ser muito, muito estranho: deve apenas ter ouvidos e pernas. Minuciosamente, ouvidos para ouvir todos que reclamam e pernas para alcançar os pedidos. O mundo girando à justiça gera paz, ou Terra. Liberdade? É o movimento do Amor, que translada!
* a gramática, assim como a filosofia, sofre com o problema da linguagem: a linguagem não contém e ao mesmo tempo contém o pensamento. O paradoxo denotativo do Conter: conter no sentido de reter e no sentido de limitar.
domingo, 30 de março de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Porque te amo
Porque te amo
Um verso simples, por isso sincero
a verdade é que eu quero!
Uma verdade singela, por isso inteira
Eu quero vê-la!
Uma palavra forte, por esse encanto
Penso que te amo!
Um pensamento constante, por isso insisto,
Venha ter comigo!
Uma sentimento à pele, por isso escamo:
Pensa que te engano!
Amor não é engano.
Amor é, verbo intransitivo,
Porque te amo, te escrevo.
E não canso.
Um verso simples, por isso sincero
a verdade é que eu quero!
Uma verdade singela, por isso inteira
Eu quero vê-la!
Uma palavra forte, por esse encanto
Penso que te amo!
Um pensamento constante, por isso insisto,
Venha ter comigo!
Uma sentimento à pele, por isso escamo:
Pensa que te engano!
Amor não é engano.
Amor é, verbo intransitivo,
Porque te amo, te escrevo.
E não canso.
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Quem sou eu (em agosto de 2012, pois quem se define se limita, dizem)
- Yco
- Mais preocupado com a criatura do que com o criador. Existem perguntas muito complicadas. Existem respostas muito complicadas. Existem pessoas que não são complicadas. Existem pessoas que tentam complicar. Eu sou aquela que procura entender; complicando un peu primeiro para poder descomplicar. Quero dizer: se eu entender o problema de forma completa, poderei encontrar a solução mais correta, eu acho. Um sonhador, dizem. Mas não creio apenas em sonhos. Gosto mesmo é da realidade, empírica ou não. Gosto de estudar sociologia e biologia. Sou acima de tudo, e pretensamente, um filósofo, no sentido mais preciso da palavra: o sentido do amor a sabedoria, ao saber. Mas a vida é para ser levada com riso e seriedade. Sabendo-se separar uma coisa da outra, encontraremos nosso mundo, nosso lugar, nossa alegria. Nossa Vida, com letra maiúscula! "o infinito é meu teto, a poesia é minha pátria e o amor a minha religião." Eu. Um ídolo: Josué de Castro; um livro: A Brincadeira (Milan Kundera) ; um ideal: a vida.