"Sonho é destino". "Dream is destiny". You do it to yourself, you do, and that's what really 'happens'. "Tudo que não invento é falso."

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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Esperançar

Esperançar

Insonte,
Entrei na sua vida.
Insone,
Velei o seu sono.
Insano,
Naveguei no seu mar.
Inquieta,
Queixou-se em apelo.
Intrépida,
Aceitou a fadiga.
Inconsciente,
Reveladora de medo.
Incrível,
Beleza astral.
Imensa, infinita, imarcescível!
Estrela de meu horizonte.
Insones,
entornamos melaços quitutinos.
Ininterruptos,
Tocamos no tempo e no espaço.
Incertos,
O futuro nos data.
Invólucros,
Lucros, lacres e licores.
Invocamos,
Para o bem, o esperançar.

O Sobrevivente - Drummond

O Sobrevivente - Drummond

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A gosto

A gosto

Janeiro
Te quero
Agosto
Te gosto
Aposto
Setembro
Você me tem
Outubro, te cubro
Dezembro
Me lembro
de Março: te abraço!
Abril, te espero...
Em maio... te amo!
Junho, estar junto
Em julho
Te juro
Fevereiro
Te vejo!
Novembro
Pretendo
Te ter bem
Pois, te quero bem
De agosto a agosto.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Patos

25/05/2017

Pontos e Vírgulas ao Segundo Tempo de Impedimento 

A República poderia ter caído por um plantão de televisão; Históricos sequazes de Brizola entravam em polvorosa e pensavam que a máxima sobre a media nacional de seu líder se tornara um paradoxo; Memes pululavam pela internet até serem proibidos por decreto, num ato que apenas geraria mais piadas; O antigo Presidente do Conselho de Administração da Empresa controladora da delatora, atualmente ocupando o cargo de Ministro da Fazenda, nada tem a declarar; A perícia mais rápida do planeta é feita; Esquerda e direita viram e ouviram o mesmo sinal por um breve momento. Nada mais à cara do Brasil. Nada mais a cara do país sinônimo de uma síntese da estética de contradições.

Se a metáfora do futebol pode ser utilizada para explicar o Fla-Flu recente atinente à tensão política no Brasil, o jogo parece carecer de um árbitro. O Poder, disse o Presidente, parecia estar vago: então resolvi mostrar quem lá está, retrucou a si próprio o equilibrista numa aporia poética antimesoclítica. Desde o injungir à plotagem, o movimento tido como sagaz à sub-reptício de início a todos levara em onda maremotal pedindo "a cabeça" do Presidente. Raros analistas políticos mais experientes temiam que a morte de um peixe só se dá pela boca, mas a de um tubarão não. Um dinossauro menos ainda. 

Explicando os fatos à beira dos acontecimentos, na tarde do dia 17 de maio do ano corrente, o jornalista Lauro Jardim do Jornal Carioca O Globo divulga um furo daqueles. O scoop online do jornalista conteria provas de que o presidente da República Michel Temer teria sido gravado cometendo crime de responsabilidade durante o exercício do mandato: passível de impeachment, portanto. A gravação por um delator de não pequena monta, a saber, Joesley Batista, o dono de uma das maiores empresas do mundo, líder do seu setor, em conversa pouco republicana na residência oficial, após o horário oficial e no porão - viemos a saber depois - no entanto seria mais uma das usadas em um acordo de delação premiada. Tal notícia gerou plantão na Rede Globo, rebuliço na capital Brasília, terremoto político no Congresso, maremoto na rede mundial de computadores e media, criando ainda uma enxurrada de memes, a nova especialidade do humor típico do povo brasileiro.

 Só o humor salva, lembrou um psicografado Millôr.

Entretanto, na política como no futebol, até o árbitro dar o apito, todo impedimento é um suspense. Quem está para sofrer o gol treme nas bases e quem está para marcá-lo, se não tiver a frieza de um baixinho que hoje é Senador, também fica inseguro e olha para o bandeirinha e todos árbitros auxiliares para saber em que condições se encontra. Porém, como já aduzido, antes do pronunciamento oficial do presidente, após a suspensão de atividades temporariamente do Congresso e durante o entardecer na Capital Federal, o rumor dominava a pelota em tabela com o humor, uma vez que não havia árbitro para tal jogo.

Ocorria que, no campo da política de crise, enquanto se vislumbrava o impedimento daquele que dizia ser campeão da ética e herdeiro da responsabilidade, o capitão do time da situação e presidente de um dos maiores partidos da nação também se via escorregando em cascas de banana que ele próprio jogara: Aécio Neves estava lesionando a si mesmo e lesando a parte da nação que nele acreditara para uma mudança de rumo quando das eleições gerais de 2014.

Em um minuto de um jogo sem acréscimo, sua vida política poderia ter ido de uma vez só para o brejo. Por hora, fora suspenso das atividades como Senador por ordem do Ministro da Suprema Corte Edson Fachin, que não acatou o pedido da Procuradoria Geral da República e ordenou sua prisão por detalhe hermenêutico. Mas, sua irmã, Andreia Neves, fora detida.

Então, seguindo a sequência metafórica futebolística real do trhiller político de um campeonato inexistente mas há muito transformado em Fla-Flu, a sensação pululante por um bom período de tempo era de que o jogo não passara de um amistoso e que ao fim e ao cabo os jogadores trocariam suas camisas e dariam de presente uns aos outros os contatos de grandes companhias patrocinadoras, insinuando o momento no qual a epifania do povo fora a de que o pirarucu se come em mesa grande e com a mesma farinha.

 Em termos políticos, a sensação era de que Maquiável e Hobbes jogam juntos e ao mesmo tempo em que os fins justificam os meios não se pode confiar em ovelhas travestidas. Todos eram lobo até que a inocência viesse à tona. Sim, a inocência estava nos lobos, parentes distantes dos dinossauros, e fora atribuída também a um ser jurássico desses. 

Ledo engano. Os dinossauros da política confiam que a verdade é uma tese, o Direito é interpretação e o telefone sem fio dificulta a gravação: fosse por fita magnética não se teria dúvidas do teor; mas, com versão xingling em mp3, a edição é mais do que possível, é infantil probabilidade: até uma criança saberia fazê-lo, disse o perito The Flash Ricardo(?) Molina.

Porém, a Polícia Federal em consonância com a Justiça é cega e lenta. Acredita que somente com o equipamento da gravação, que agora sabe-se que foram 2 e já está nas mãos da justiça federal, e uma equipe trabalhando em um período de 15 a 30 dias pode elucidar a questão levantada pela defesa do dinossauro-equilibrista Presidente da República de que tudo não teria passado de plotagem no sentido inglês da palavra: edição e sabotagem. As palavras do dinossauro-peixe-mór, no entanto, deram mais motivos para a Ordem dos Advogados do Brasil, entidade que durante a semana afirmou protocolar pedido do impeachment do presidente, levar em consideração mais do que a prova sub júdice da gravação mas também os próprios pronunciamentos oficiais do presidente: eles corroborariam a própria tese obnubilada pela gravação digital.

Assim, o segredo da fonte que resolve divulgar a um jornalista específico, sabe-se lá a troco de quê, seja da Verdade ou da Justiça à Nação ou coisas sombrias, fica preservado; a investigação antes sigilosa é tornada pública; e mais lenha se joga na onda de manifestações que por fogo grego se mantém acesa debaixo de maremóticas águas. Apenas o soldador de plataforma de petróleo, acostumado a manusear maçarico de fogo telúrico, sabe que para aparar as arestas de aço político no mar revoltado da política nacional o mais importante é checar o nível de oxigênio: sem informação fundamental tem-se apenas a versão dos fatos e a pós-verdade.

 No entanto, a verdade na política é discursiva e prescritiva. Faz-se ao dia-a-dia seguindo mais ou menos as regras escritas do jogo.

 Assim, quando alguém, com intenções pouco nítidas com o especular da bolsa e a garantia à sobrevivência própria resolve jogar a vaca no brejo, dar nome aos bois e mostrar a fraqueza da carne em sangria franca, a nação pensa que os árbitros escalados somente têm validade na guardiã máxima da Constituição. E num atropelamento casuístico quer-se eleições indiretas e a Ministra Carmém Lúcia, atual Presidente da Corte Suprema, desponta como única com envergadura moral para assumir a Presidência da Nação. De outro lado, pede-se eleições diretas - ainda que tal processo demore cerca de 6 meses - pelos trâmites legais da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional do deputado Miro Teixeira da  REDE do Rio de Janeiro, e que não se tenha mais nomes de plena confiança nos maiores partidos do país, inclusive porque o segundo lugar do último pleito parece estar condenado às grades.

 E com tudo isso, esquece-se que o presidente é dinossauro da política, arauto mór da peroba facial e com a destreza de Direita conecta o mercado às leis enquanto engambela, a là Garrincha e suas pernas tortas ao Centro e à esquerda, a Esquerda. O drible maior do presidente redundou em grandes manifestações. Contidas pelas Forças Armadas, a finta do presidente chamou a fita de armada e Brasília de demi-sitiada. Será que a história se repete como Marx ou acaba como Fukuyama? 

Não sabemos. Se é verdade que tudo é um jogo, resta-nos torcer e influir. Influenciar. Fazer coro. Vaiar. Apoiar. Lembrando que o adversário maior do povo não podem ser representantes do povo, mas sim quem trapaceia, não segue as regras do jogo e além de implodir o estádio com todos dentro, pensa que reformas são necessárias.

De fato, são necessárias reformas. Mas não mexendo nas bases pouco estruturadas e iníquas mas sim nas coberturas marmóreas dos palácios que o comunista, diga-se, Niemeyer projetou imaginando que somente a Arquitetura salva. Que a arte do país das contradições do futebol arquitete o jogo dentro do campo, dispensando a dose de suspense e mal humor típicos dos fardados. Que prevaleça a justiça democrática!

obs. repost

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Poema em cheque

Poema em cheque

Usa fraque, sobe o deque
A sentir
Desce o remo, rumo à proa
A nadar
Calca o baque, solta o barco
A fugir
Move o corpo, vale a mente
A viajar
Vai embora, sem destino
A seguir

Pousa em Poa, encontra a amiga
A beber
Convida-a ao Rio, segue o fluxo
A guiar
Volta ao caos, vence a conta
A pagar
Acorda e escreve tal poema
A ler
Sonha o mundo, vive a vida
A valer!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Sentido social

 Há desaparecimento da cultura com o mundo globalizado?


Textos revistos...




" Há a alegação de que o Estado liberal perdeu sua casca étnico-particularista e emergiu em sua forma cívica, universalista e culturalmente purificada. A Grã-Bretanha, entretanto, como todos os nacionalismos cívicos, não é apenas uma entidade soberana em termos políticos e territoriais , mas é também uma comunidade imaginada: parafraseando Spivak, o fato de um norte-americano ler no café-da-manhã um jornal em língua europeia (inglês), com fontes (alfabeto arábico) do Oriente Médio, com notícias sobre a China, de um autor do Brasil, o faz se sentir orgulhoso de ser tipicamente americano e ter a cultura superior da América." Aspas para mim e para Spivak.



 Temos que a normatividade é um problema para Habermas, assim como o não reconhecimento e não legitimidade do outro; já para Spivak a própria ideia de existência criada do outro parece um problema, pois atesta-se que o outro foi criado, inventado, a partir de um sujeito anterior, sujeito este que tem a legitimidade, tanto buscada em Habermas no Estado de Direito, como eurocêntrica, e a isso Spivak atribuiria também o problema de Foucault e da intelectualidade que subsume a ideologia, tratando apenas da instituição do outro, da normatividade via discurso: a instituição do outro o menoscaba. Há o relacionamento entre os textos de Sahlins, Ulf  e Hannerz.



 Simplesmente, liga-se aos textos dos antropólogos Shalins e Hanerz o de Spivak quando esta cita Marx tratando da indivisibilidade dos sujeitos como sendo algo problemático: " Meu argumento é que Marx não está trabalhando para criar um sujeito indivisível, no qual o desejo e o interesse coincidem. A consciência de classe não opera com esse objetivo. Tanto na área econômica (capitalista) quanto na política (agente histórico-mundial), Marx é compelido a construir modelos de um sujeito dividido e deslocado cujas partes não são contínuas nem coerentes entre si...". Pois, o sujeito pós-colonial, que agora busca refazer, recontar a história, atuando enquanto sujeito de fato, é ele todo globalizado (Spivak vem da Índia e Hall de .... mas ambos migram para o centro de poder do mundo, Europa e Estados Unidos) e ainda assim resguardam(-se) em sua psiqué e (em) seu "ethos"(,) sua cultura. Portanto, a cultura, longe de desaparecer, estaria ganhando força com o mundo globalizado, que se torna transcultural, indigeneizado...




 "Fluxos”, “limites” e “híbridos” são as palavras-chave. Mais ou menos como transcultura, multicultura ou teoria das culturas globalizadas, transnacionais, do texto do Sahlins, obviamente tem-se de fazer esta distinção e comparar com Spivak. E vimos semelhanças quanto ao problema atestado de Spivak do "locus" de quem discursa, e estas semelhanças haveria entre todos os autores com exceção talvez de Hall, porque ele já é um autor local, do mundo pós-colonial, e que superando, no termo hegeliano, a questão do locus de quem discursa, trata de afirmar a questão do multiculturalismo como sendo primado da globalização e, ao mesmo tempo, advindo do ninho do engalfinhamento capitalista, o qual tudo detém para si sobre a forma do domínio dos meios, seja de produção de cultura, de valores éticos e étnicos, de poder, de bens.




 É possível falar também de micro à macro política em Foucault, Spivak e outros... e dos antecedentes históricos que marcam o multiculturalismo...



 Ligam-se o problema da sobredeterminação econômica proto-marxista, capitalista, a questão da cultura, e do multiculturalismo... e daí Hall viria com o Estado de Direito como algo que tem de reconhecer o outro, garantir sua existência, além do problema da diáspora, que segundo os antropólogos Sahlins e Hannerz, não existe, pois o transcultural subsumiria isto, - ao meu entender, pois conecto a isto também o fato de que Hall e Spivak praticaram a diáspora rumo a Europa e EUA: falam a partir de locais de poder, e as suas críticas às diásporas são constitutivas de seus trabalhos.



 Cultura é : todos os processos da vida comum: hall no-lo afirmaria. Portanto o (seu) caráter não é mono, mas processual. Mas hall, em contrário a Sahlins, acha que há uma tendência à homogeneização das culturas com a globalização, e, ao mesmo tempo, fortalece(imento) (d)a diferenças ou elementos diferenciadores no interior das sociedades...




 Daí seria falso o argumento de que a cultura estaria desaparecendo pela globalização, outrossim, ela poderia estar se reforçando, na micropolítica, nas mentes de jovens que migram mas mantém o desejo - que não é agenciado pelo colonizador- de retorno à terra de origem, aproveitando-se das vantagens do capitalismo (ganho de dinheiro e bens, poder e status, para se reforçar dentro do clã, sendo admirado como herois das lendas ao retornar À Indonésia após fazer dinheiro no mundo europeu).




Hall



Hall distingue multicultural e multiculturalismo: o primeiro é usado no plural, é um termo qualificativo, descreve características sociais e problemas de governabilidade nas quais várias comunidades culturais convivem e tentam construir uma vida comum, ao mesmo tempo em que tentam reter sua identidade "original". O multiculturalismo é algo substantivo. É usado no singular. E trata-se da doutrina ou das estratégias e filosofias e políticas específicas usadas para dirimir, governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade geradas pelas sociedades multiculturais.



" Sri Lanka, frança, Nigéria... são sociedades multiculturais, EUA, GB, de forma bastantes distinta, são multiculturais. Entretanto, todos são por definição, culturalmente heterogêneos. E o paradoxo: O estado moderno tende a homogeinização cultural...organizada em em torno de valores universais,seculares e individualistas liberais..."



Sobre globalização.



 De fato, entre seus efeitos inesperados estão as formações subalternas e as tendências emergentes que escapam a seu controle, mas que ela tenta homogeneizar ou atrelar a seus propósitos mais amplos (seja lá quais forem...). É um sistema de con-formação da diferença, em vez de obliteração da diferença, citando-o.



Essa formação implica a necessidade de um modelo mais discursivo para as estratégias de de resistência, ou contra-estratégias.



 Da proliferação subalterna da diferença.



 É um paradoxo da globalização contemporânea o fato de que, culturalmente, as coisas pareçam mais ou menos semelhantes entre si (a americanização da cultura, p.ex.) e ao mesmo tempo há a proliferação das diferenças. O eixo vertical do poder cultural, econômico e tecnológico está compensado por conexões laterais, o que cria uma visão de mundo composta por diferenças locais, as quais o globo-vertical é obrigado a considerar. Há differance e determinações em termos relacionais... Mas há o papel do Estado...



Papel do Estado.



 A neutralidade do Estado funciona apenas quando se pressupõe uma homogeneidade cultural ampla entre os governados. Essa presunção fundamentou as democracias liberais ocidentais até recentemente. Sob as novas condições multiculturais, entretanto, essa premissa parece cada vez menos válida.



 Repetindo, a alegação é de que o Estado liberal perdeu sua casca étnico-particularista e emergiu em sua forma cívica, universalista e culturalmente purificada. A Grã-Bretanha, entretanto, como todos os nacionalismos cívicos, não é apenas uma entidade soberana em termos políticos e territoriais, mas é também uma comunidade imaginada: parafraseando Spivak, o fato de um americano ler no café da manhã um jornal em língua europeia (inglês), com fontes (alfabeto arábico) do Oriente Médio, com notícias sobre a China, de um autor do Brasil, o faz se sentir orgulhoso de ser tipicamente americano e ter a cultura superior da América. E produzir e reproduzir "sua cultura" é a tônica invariante.




 Quer dizer, de nada adianta a produção sem inter-esse dos consumidores, dotados de cultura: conhecimento próprio, significado próprio, contato. Pois, caso assim seja, há esvaziamento de sentido e não há porque produzir sequer um xampú, um café ou uma bola de futebol.  Os erros devêm.


Assim,  o esboço de artigo é o paradoxo intencional: sem a conexão dos conhecimentos não se produz sentido. Sem o estudo do sentido não se produz progresso. Sem o significado do progresso não se produz valor. Sem valor não há moral, ética ou interesse. Sem tais itens humanos, sem interesse, não há sentimento. Sem sentimento nos tornamos máquinas. Sendo máquinas não vivemos. Sem vida só resta a morte. Mas mesmo a morte vazia seria também inócua. Por isso o significado das ações, que criam valor, conhecimento, cultura, sentimento e interesse devem entender o organizar da produção. Do sistema de produção. As ciências sociais estudam isso. Esses valores humanos. Sem organização da produção com sentido de valores, nos tornamos autômatos presos no paradoxo supraescrito.


E assim, apenas produzir por produzir gera alienação. Alienação é não diferenciação do objeto. E o que diferencia o humano dos demais animais é este "reconhecimento no espelho", a diferenciação para com o objeto criado por ele mesmo. Isso é básico nas ciências sociais. O animal que não se diferencia do objeto produzido não tem diferença com relação a ele. E daí pode ser manipulado como ele... Como se conduz um cavalo...ou a tal manada... 


A crítica das humanidades, das ciências humanas é não se tornar escravo dos desejos e tampouco do conhecimento de sentido adotado. Logo, antes de tudo é preciso produzir sentido. Quando o sentido não é dogmático(religioso) ele tem de ser adotado, produzido. Isso implica em filosofia e religião. E como foi subentendido, as ciências sociais (geografia, história, filosofia, economia, direito, antropologia, ciência política) tentam minimamente compreender o sentido que se está criando, retomando a verdade ontológica: "eu sou". Se sou, o que me diz que sou? (filosofia) Qual o sentido do e onde estou no tempo? (geografia e história) O que consumo?(economia) O que faço em contato com as pessoas?(sociologia) o que me diferencia ou iguala dos/ aos demais? (antropologia) Quem manda em mim? quem eu obedeço? (ciência política) O que posso fazer? (direito) etc etc são questões que tratam do ser. Do sentido. Pois, sem crítica, critério, sentido, ou volição chegamos ao mundo hobbesiano, onde a natureza comanda. E não há regras, ordem, poder, valor a não ser a luta de todos contra todos. Logo, não há sociedade. Não há interesse em sociedade. Lembrando que inter-esse é amor. É o ser (essere),  intermediário latino. É o amor que faz o diálogo possível, pois concilia os seres diferenciados nos níveis de existência. Que se comunicam. Que comunicam sentido. Sem comunicação de sentido, não é possivel a sociedade. Por isso tudo vejo com bons olhos que haja mais interesse em trocas de sentido. Como diria Marcel Mauss, a troca funda a sociedade. Há troca de sentido, daí valores, daí bens, e até esposas/os. Daí a sociedade organizada.


Finalmente, e para quem ainda tem paciência, a obediência é a fundição do sentido. É que em tais trocas epistêmicas a obediência prevalece. Se ainda faz algum sentido o lema positivista da bandeira, para um país como o nosso obter mais ordem e mais progresso, é preciso a dominância da obediência. Que só é conhecida na troca de conhecimento das ciências humanas, sociais. Quem não detiver este timão não pode ir à lugar algum. O tal primeiro mundo é simplesmente isso. Já alcançaram o nível da abstração. Nós parecemos que não, mas não nos diferenciamos. O parecer em escala platônica é abaixo do ser. Do existir. A luta do país não a-toa é pelo existir. Isso pode explicar nossa violência quotidiana.



4 / 7 / 2018 

4 de julho de 2018

palavras-chave: diferença, étnico, culturalismo, multiculturalismo, "developman", híbridos, fluxos, fronteiras, indigeneização, transcultural, globalizado, cultura, pós-colonialismo, anticolonialismo em hall, subcultura, colonialismo, normatividade, sobredeterminação econômica, minorias, afirmação histórica, outro, sujeito, monoculturalismo, epistemes, modernidade tardia, redes, transnacional, imperialismo, homogeneização, lugar, origem, ressignificado, renegociação, fragmentação, crise de identidades, termo sob rasura, tradição x tradução, hibridismo, posição hifenizada, pós-nacional, reconfiguração,

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Convite



Da Terrinha vem a felicidade.
Estou a par da parte que me toca.
E cheio de não-me-toques.
Sinto-me partido, esmerilhando-me.
Quero me aproximar de ti.
Quero-te próxima
E, no entanto, ajo com timidez.

Mas acredito em coincidências,
Sem barreiras,
Com barreiras.
Sem fronteiras.
Com submarinos atravessamos o gelo.
Sem subliminares, trocamos os números

E com a virtualidade estamos sempre a um toque.
Porém, retomando, sinto frio.
Talvez o coração frágil.
Talvez o tempo do Rio!
Aposto no arrepio!
Na pele roçando tátil...
Nas bocas tocando, nos lábios...
Nas mãos, nos olhos mútuos...

Assim, à distância virtual, talvez não entenda.
Então, remeto o convite à carne.
Um jantar, um almoço, quem sabe?
Uma pizza, um vinho, um espinafre!
Aceita? Que dia é melhor pra você?
Em qual lado da ponte te vejo?
Ou quem sabe um sorvete no sábado após a tempestade?


18-6-18

Quem sou eu (em agosto de 2012, pois quem se define se limita, dizem)

Minha foto
Mais preocupado com a criatura do que com o criador. Existem perguntas muito complicadas. Existem respostas muito complicadas. Existem pessoas que não são complicadas. Existem pessoas que tentam complicar. Eu sou aquela que procura entender; complicando un peu primeiro para poder descomplicar. Quero dizer: se eu entender o problema de forma completa, poderei encontrar a solução mais correta, eu acho. Um sonhador, dizem. Mas não creio apenas em sonhos. Gosto mesmo é da realidade, empírica ou não. Gosto de estudar sociologia e biologia. Sou acima de tudo, e pretensamente, um filósofo, no sentido mais preciso da palavra: o sentido do amor a sabedoria, ao saber. Mas a vida é para ser levada com riso e seriedade. Sabendo-se separar uma coisa da outra, encontraremos nosso mundo, nosso lugar, nossa alegria. Nossa Vida, com letra maiúscula! "o infinito é meu teto, a poesia é minha pátria e o amor a minha religião." Eu. Um ídolo: Josué de Castro; um livro: A Brincadeira (Milan Kundera) ; um ideal: a vida.