"Sonho é destino". "Dream is destiny". You do it to yourself, you do, and that's what really 'happens'. "Tudo que não invento é falso."

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sábado, 16 de maio de 2020

Ditado chinês

Ditado chinês

Aos dez você brinca
Aos vinte sonha
Aos trinta trabalha
Aos 40 realiza
Aos 50 desfruta
Aos 60 reflita
Aos 70 diverte
Aos 80 homenagens
Aos 90 contempla
Aos 100 agradece
Aos 110 imortaliza
Aos 120 acorda!
E em todas velocidades,
Aprende.

Aos 10 quilômetros,
Acha vaga.
Aos 20, dobra a esquina.
Aos 30, busca na escola.
Aos 40, volta com sacolas.
Aos 50, sinaliza à bicicleta.
Aos 60, avança o sinal amarelo.
Aos 70, vê a paisagem.
Aos 80, economiza na viagem.
Aos 90, segue o grande caminho.
Aos 100, atravessa Estados.
Aos 110 , atinge o limite legal.
Aos 120, freia.
E em todas idades,
renasce.

A 0 hora, muda o dia.
À 1 hora, há coruja.
Às 2, vê estrelas.
Às 3, se enebria.
Às 4, passa frio.
Às 5, lusco-fusco.
Às 6, arrepia.
Às 7, caminha à orla.
Às 8, inicia a lida.
Às 9, um cafezinho.
Às 10, renúncia.
Às 11, joga em todas.
Às 12, anuncia.
Às 13, almoça.
Às 14, bate o sono.
Às 15 percebe que é longo o dia.
Às 18, se despede.
Às 22, enfastia.
E em todas as horas ocultas,
Enriquece-se.

Ao leste, nasce.
Ao oeste, põe-se.
Ao norte, mira.
Ao sul, esvai-se.
Ao nordeste, acaricia.
Ao sudeste, resignifica.
Ao noroeste, perde-se.
A sudoeste, embriaga.
E em toda rosa ferida,
Crava espinhos.

Aos dias pares, vive.
Aos dias ímpares, revive.
Aos quatro cantos, caminha.
Aos oito mares, navega.
A toda hora, sorria.
A todo humor, recria.
Ao bom sabor, assobia.
A bem saber, experimenta.

De início, aprende
Ao desenvolver,
Desprende
Ao contar, repreende
Ao orientar, depreende
Ao não contar, sublima.





terça-feira, 12 de maio de 2020

Profissão pós pandemia

Profissão pós-pandemia

CEO de minha vida
Diretor-presidente do meu destino
Chefe de operações do meu andar
Encarregado de percorrer o mundo!

Interno de minha consciência
Responsável de obras de saber próprio
Engenheiro de sonhos a contento
Supervisor de meu movimento!

Astronauta do meu paralaxe
Ouvidor de coração íntegro
Apontador de direitos reservados
Estoquista da vontade íntima
Curador de minha saúde psíquica!

Pastor do rebanho de minh'alma!
Ator à ser grego interior
Corregedor de segredos inferidos
Procurador do mistério da vida!

Advogado de minha penitência
Médico de insana consciência
Louco por escolhas obtusas
Obstetra de poesia maluca!

Anestesista maiêutico
Engraxate de movimentos na rua
Afinador de piano das costas
Carregador de verdades multimídia!

Juiz de paz interna!
Padeiro no meu paradeiro!
Surfista das manhãs sem Sol
Contador de estrelas cadentes!

Economista de elogios grandiloquentes
Político de verdade estoica
Filósofo de vontade hedonista!

Antropólogo respirador do povo
Biólogo desinteressado na vida pingente
Ourives de piadas amigas
Bartender na tradução simultânea
Dentista à amargura do mundo!

Cineasta da criação imperfeita
Programador de viagem longínqua
Operário do amor terreno
Residente ao planeta aquático
Pescador de ovelha assistemática!

Professor de interesses ignorados
Escultor de informação quântica
Desenhista de letras informes
Astrônomo de poesia infinita!
Sonhador de um mundo mutante! 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Lively

Lively
Lovely
Lonely
 Lunely
Moonly
My only
Moonlight

5-5-20. 12:13. 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Há desaparecimento da cultura com o mundo globalizado?

Há desaparecimento da cultura com o mundo globalizado?


Textos revistos e revisitados...



" Há a alegação de que o Estado liberal perdeu sua casca étnico-particularista e emergiu em sua forma cívica, universalista e culturalmente purificada. A Grã-Bretanha, entretanto, como todos os nacionalismos cívicos, não é apenas uma entidade soberana em termos políticos e territoriais , mas é também uma comunidade imaginada: parafraseando Spivak, o fato de um norte-americano ler no café-da-manhã um jornal em língua europeia (inglês), com fontes (alfabeto arábico) do Oriente Médio, com notícias sobre a China, de um autor do Brasil, o faz se sentir orgulhoso de ser tipicamente americano e ter a cultura superior da América." Aspas para mim e para Spivak.


 Temos que a normatividade é um problema para Habermas, assim como o não reconhecimento e não legitimidade do outro; já para Spivak a própria ideia de existência criada do outro parece um problema, pois atesta-se que o outro foi criado, inventado, a partir de um sujeito anterior, sujeito este que tem a legitimidade, tanto buscada em Habermas no Estado de Direito, como eurocêntrica, e a isso Spivak atribuiria também o problema de Foucault e da intelectualidade que subsume a ideologia, tratando apenas da instituição do outro, da normatividade via discurso: a instituição do outro o menoscaba. Há o relacionamento entre os textos de Sahlins, Ulf  e Hannerz.


 Simplesmente, liga-se aos textos dos antropólogos Sahlins e Hanerz o de Spivak quando esta cita Marx tratando da indivisibilidade dos sujeitos como sendo algo problemático: " Meu argumento é que Marx não está trabalhando para criar um sujeito indivisível, no qual o desejo e o interesse coincidem. A consciência de classe não opera com esse objetivo. Tanto na área econômica (capitalista) quanto na política (agente histórico-mundial), Marx é compelido a construir modelos de um sujeito dividido e deslocado cujas partes não são contínuas nem coerentes entre si...". Pois, o sujeito pós-colonial, que agora busca refazer, recontar a história, atuando enquanto sujeito de fato, é ele todo globalizado (Spivak vem da Índia e Hall de .... mas ambos migram para o centro de poder do mundo, Europa e Estados Unidos) e ainda assim resguardam(-se) em sua psiqué e (em) seu "ethos"(,) sua cultura. Portanto, a cultura, longe de desaparecer, estaria ganhando força com o mundo globalizado, que se torna transcultural, indigeneizado...



 "Fluxos”, “limites” e “híbridos” são as palavras-chave. Mais ou menos como transcultura, multicultura ou teoria das culturas globalizadas, transnacionais, do texto do Sahlins, obviamente tem-se de fazer esta distinção e comparar com Spivak. E vimos semelhanças quanto ao problema atestado de Spivak do "locus" de quem discursa, e estas semelhanças haveria entre todos os autores com exceção talvez de Hall, porque ele já é um autor local, do mundo pós-colonial, e que superando, no termo hegeliano, a questão do locus de quem discursa, trata de afirmar a questão do multiculturalismo como sendo primado da globalização e, ao mesmo tempo, advindo do ninho do engalfinhamento capitalista, o qual tudo detém para si sobre a forma do domínio dos meios, seja de produção de cultura, de valores éticos e étnicos, de poder, de bens.



 É possível falar também de micro à macro política em Foucault, Spivak e outros... e dos antecedentes históricos que marcam o multiculturalismo...


 Ligam-se o problema da sobredeterminação econômica proto-marxista, capitalista, a questão da cultura, e do multiculturalismo... e daí Hall viria com o Estado de Direito como algo que tem de reconhecer o outro, garantir sua existência, além do problema da diáspora, que, segundo os antropólogos Sahlins e Hannerz, não existe, pois o transcultural subsumiria isto, - ao meu entender, pois conecto a isto também o fato de que Hall e Spivak praticaram a diáspora rumo a Europa e EUA: falam a partir de locais de poder, e as suas críticas às diásporas são constitutivas de seus trabalhos.


 Cultura é : todos os processos da vida comum: Hall no-lo afirmaria. Portanto o (seu) caráter não é mono, mas processual. Mas Hall, em contrário a Sahlins, acha que há uma tendência à homogeneização das culturas com a globalização, e, ao mesmo tempo, fortalece(imento) (d)a diferenças ou elementos diferenciadores no interior das sociedades...



 Daí seria falso o argumento de que a cultura estaria desaparecendo pela globalização, outrossim, ela poderia estar se reforçando, na micropolítica, nas mentes de jovens que migram mas mantém o desejo - que não é agenciado pelo colonizador- de retorno à terra de origem, aproveitando-se das vantagens do capitalismo (ganho de dinheiro e bens, poder e status, para se reforçar dentro do clã, sendo admirado como herois das lendas ao retornar (à Indonésia) após fazer dinheiro no mundo europeu).



Hall


Hall distingue multicultural e multiculturalismo: o primeiro é usado no plural, é um termo qualificativo, descreve características sociais e problemas de governabilidade nas quais várias comunidades culturais convivem e tentam construir uma vida comum, ao mesmo tempo em que tentam reter sua identidade "original". O multiculturalismo é algo substantivo. É usado no singular. E trata-se da doutrina ou das estratégias e filosofias e políticas específicas usadas para dirimir, governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade geradas pelas sociedades multiculturais.


" Sri Lanka, frança, Nigéria... são sociedades multiculturais, EUA, GB, de forma bastantes distinta, são multiculturais. Entretanto, todos são por definição, culturalmente heterogêneos. E o paradoxo: O estado moderno tende a homogeinização cultural...organizada em em torno de valores universais,seculares e individualistas liberais..."


Sobre globalização.


 De fato, entre seus efeitos inesperados estão as formações subalternas e as tendências emergentes que escapam a seu controle, mas que ela tenta homogeneizar ou atrelar a seus propósitos mais amplos (seja lá quais forem...). É um sistema de con-formação da diferença, em vez de obliteração da diferença, citando-o.


Essa formação implica a necessidade de um modelo mais discursivo para as estratégias de de resistência, ou contra-estratégias.


 Da proliferação subalterna da diferença.


 É um paradoxo da globalização contemporânea o fato de que, culturalmente, as coisas pareçam mais ou menos semelhantes entre si (a americanização da cultura, p.ex.) e ao mesmo tempo há a proliferação das diferenças. O eixo vertical do poder cultural, econômico e tecnológico está compensado por conexões laterais, o que cria uma visão de mundo composta por diferenças locais, as quais o globo-vertical é obrigado a considerar. Há differance e determinações em termos relacionais... Mas há o papel do Estado...


Papel do Estado.


 A neutralidade do Estado funciona apenas quando se pressupõe uma homogeneidade cultural ampla entre os governados. Essa presunção fundamentou as democracias liberais ocidentais até recentemente. Sob as novas condições multiculturais, entretanto, essa premissa parece cada vez menos válida.


 Repetindo, a alegação é de que o Estado liberal perdeu sua casca étnico-particularista e emergiu em sua forma cívica, universalista e culturalmente purificada. A Grã-Bretanha, entretanto, como todos os nacionalismos cívicos, não é apenas uma entidade soberana em termos políticos e territoriais, mas é também uma comunidade imaginada: parafraseando Spivak, o fato de um americano ler no café da manhã um jornal em língua europeia (inglês), com fontes (alfabeto arábico) do Oriente Médio, com notícias sobre a China, de um autor do Brasil, o faz se sentir orgulhoso de ser tipicamente americano e ter a cultura superior da América. E produzir e reproduzir "sua cultura" é a tônica invariante.



 Quer dizer, de nada adianta a produção sem inter-esse dos consumidores, dotados de cultura: conhecimento próprio, significado próprio, contato. Pois, caso assim seja, há esvaziamento de sentido e não há porque produzir sequer um xampú, um café ou uma bola de futebol.  Os erros devêm.

Assim,  o esboço de artigo é o paradoxo intencional: sem a conexão dos conhecimentos não se produz sentido. Sem o estudo do sentido não se produz progresso. Sem o significado do progresso não se produz valor. Sem valor não há moral, ética ou interesse. Sem tais itens humanos, sem interesse, não há sentimento. Sem sentimento nos tornamos máquinas. Sendo máquinas não vivemos. Sem vida só resta a morte. Mas mesmo a morte vazia seria também inócua. Por isso o significado das ações, que criam valor, conhecimento, cultura, sentimento e interesse devem entender o organizar da produção. Do sistema de produção. As ciências sociais estudam isso. Esses valores humanos. Sem organização da produção com sentido de valores, nos tornamos autômatos presos no paradoxo supraescrito.


E assim, apenas produzir por produzir gera alienação. Alienação é não diferenciação do objeto. E o que diferencia o humano dos demais animais é este "reconhecimento no espelho", a diferenciação para com o objeto criado por ele mesmo. Isso é básico nas ciências sociais. O animal que não se diferencia do objeto produzido não tem diferença com relação a ele. E daí pode ser manipulado como ele... Como se conduz um cavalo...ou a tal manada... 

A crítica das humanidades, das ciências humanas é não se tornar escravo dos desejos e tampouco do conhecimento de sentido adotado. Logo, antes de tudo é preciso produzir sentido.


 Quando o sentido não é dogmático(religioso) ele tem de ser adotado, produzido. Isso implica em filosofia e religião. E como foi subentendido, as ciências sociais (geografia, história, filosofia, economia, direito, antropologia, ciência política) tentam minimamente compreender o sentido que se está criando, retomando a verdade ontológica: "eu sou". Se sou, o que me diz que sou? (filosofia) Qual o sentido do e onde estou no tempo? (geografia e história) O que consumo?(economia) O que faço em contato com as pessoas?(sociologia) o que me diferencia ou iguala dos/ aos demais? (antropologia) Quem manda em mim? quem eu obedeço? (ciência política) O que posso fazer? (direito) etc etc são questões que tratam do ser. Do sentido. Pois, sem crítica, critério, sentido, ou volição chegamos ao mundo hobbesiano, onde a natureza comanda. E não há regras, ordem, poder, valor a não ser a luta de todos contra todos. 


Logo, não há sociedade. Não há interesse em sociedade. Lembrando que inter-esse é amor. É o ser (essere),  intermediário latino. É o amor que faz o diálogo possível, pois concilia os seres diferenciados nos níveis de existência. Que se comunicam. Que comunicam sentido. Sem comunicação de sentido, não é possivel a sociedade. Por isso tudo vejo com bons olhos que haja mais interesse em trocas de sentido. Como diria Marcel Mauss, a troca funda a sociedade. Há troca de sentido, daí valores, daí bens, e até esposas/os. Daí a sociedade organizada.


Finalmente, e para quem ainda tem paciência, a obediência é a fundição do sentido. É que em tais trocas epistêmicas a obediência prevalece. Se ainda faz algum sentido o lema positivista da bandeira, para um país como o nosso obter mais ordem e mais progresso, é preciso a dominância da obediência. Que só é conhecida na troca de conhecimento das ciências humanas, sociais. Quem não detiver este timão não pode ir à lugar algum. O tal primeiro mundo é simplesmente isso. Já alcançaram o nível da abstração. Nós parecemos que não, mas não nos diferenciamos. O parecer em escala platônica é abaixo do ser. Do existir. A luta do país não a-toa é pelo existir. Isso pode explicar nossa violência quotidiana.


 4 / 7 / 2018 4 de julho de 2018

palavras-chave: diferença, étnico, culturalismo, multiculturalismo, "developman", híbridos, fluxos, fronteiras, indigeneização, transcultural, globalizado, cultura, pós-colonialismo, anticolonialismo em hall, subcultura, colonialismo, normatividade, sobredeterminação econômica, minorias, afirmação histórica, outro, sujeito, monoculturalismo, epistemes, modernidade tardia, redes, transnacional, imperialismo, homogeneização, lugar, origem, ressignificado, renegociação, fragmentação, crise de identidades, termo sob rasura, tradição x tradução, hibridismo, posição hifenizada, pós-nacional, reconfiguração, Stuart Hall,Gayatri Chakravorty Spivak,Michel Foucault, Marcel Mauss, Marshall Sahlins, Jürgen Habermas, Ulf Hannerz

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Janeiro

Fosse a foça o fundo do poço
Fosse o poço o fundo da foça
Não seria janeiro mas agosto
Fosse o posso o fundo do força
Não seria desgosto mas desculpa
Como é bom culpar os outros
Como é bom desculpá-los
Deixe as outras pessoas...
Deixe as pessoas serem o que são
É essa a lição
Eu li São
Um Santo, um anjo
Um anjo que parte o coração
Obrigado por compartilhar a vida!
Que, se breve, brilhante! Contagiante!
Seja o posso o fundo da força!
Se no poço, há luz de esperança!
Sê força, alegria e lembrança!
Fosse o poço o fundo da foça
Fosse a foça o fundo do posso
Não seria a gosto mas janeiro
É um mês de mistério e saudades
Uma agridoce e quente sensação
De estar feliz-triste e partido
E todos compartimos




quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Mozart é igual a MC Kevinho

Mozart é igual a MC Kevinho


Eu estava dirigindo meu carro no interior do interior desse Braszilzão, entrei numa comunidade carente quase sem querer e fui pedir informação a um grupo de crianças jogando bola na rua. Vieram sorrindo e me responderam prontamente. Com destaque, uma criança de 10 anos, com um enorme sorriso no rosto: de apenas um dente. Fiquei chocado mas mantive a cara de pôquer. Pensei se o menino já havia visto uma escova de dentes na vida, se teria alguma doença, se frequentava a escola ou tinha pais ou família. Deduzo que não. Mas tenho esperança.

 Quer dizer, quando este menino fizer 18 anos e estiver apto a trabalhar, votar, dirigir, ser eleito, ter uma conta no banco, tenho esperança de que chegará à maioridade e não será preso ou levará um headshot. Sim, porque é isso que prega o governador do Estado do Rio de Janeiro aos meninos desamparados das comunidades carentes. Pensei se tal menino hoje com 10 anos terá chance de vaga de emprego aos 18. Ou se olharão para ele e meritocraticamente escolherão o parente distante dele que mora no Leblon para trabalhar meio período no MC Donaldo. Este tem dentes.

 Sim, MC Donaldo. Quem sabe aquele menino tenha um dom para a música e faça batidas dizendo o que vive e o que o deixa tão feliz, como jogar bola com amigos no sol escaldante do verão brasileiro. Quem sabe ele tenha sorte e um olheiro de várzea o leve para o time da cidade, depois capital e ele desponte, ganhando assistência odontológica dentre outras coisas. Quem sabe o governo mude.

 Exatamente o que leu, quem sabe o governo local mude a mentalidade e mande assistentes sociais visitarem tais comunidades para checar se há crianças fora da escola, sem assistência médica, odontológica e educação de toda sorte além da sanitária ? Sim, porque a lei é para todos, e os cortes do Orçamento também. Mas uns parecem ser mais atingidos do que outros. Quem sabe o governo não pense que a cultura do funk não muda a vida das pessoas. Interrogação e exclamação. Ou a cultura do esporte. Ou a cultura da religião. Ou a cultura do diverso, do distante, do próximo.

 Mantenho a esperança de que o próximo pense no próximo, tenha o amor intermediário: interesse. Inter essere, em latim, é o ser intermediário. É o Amor, o Ser que anda entre dois mundos, dois planos e os conecta. Então, jogue a seta da sorte não na cabeça ou no dom aleatório do menino de 10 anos, feliscendente, mas na inteligência que ocupa o lugar ciente. O lugar de assistir. De conhecer o outro e evitar que o crime, que lá está organizado, o convença de que é melhor ter do que não ter dinheiro. E dentes.

Tenho esperança de que o som absurdo da ausência inebriante seja superior ao silente escândalo de não olhar para o ser humano ao lado como ser idêntico, e assim o mandatário do poder local não seja marginal e sim presente. Se as margens nos mananciais do país, nas reservas estatais, estão cada vez menos frondosas e os rios menos caudalosos, que ao menos paremos para pensar na hora de tomar decisões que atijam os menos afortunados, marginais em senso lato. Sim, o voto.

Em última instância, nosso pior governo é ainda uma democracia. Nela os deveres do Estado estão subescritos em lei. E o dinheiro que é investido em educação bucal - que seja - pode salvar almas no futuro próximo. Muito mais do que qualquer deus ausente. Não há solução mais pingente: ou se libera a sangria, ou se liberta a gente. O Ser intermediário ora exposto só faz a ponte, crente que salvará almas, mas no mundo a ação é humana. O motor de toda ação, o pai de toda a ação é a vibração, a energia, o pensamento, o santo espírito que vê, vislumbra, alumia a mente e pede o movimento não silente: o movimento que faz o filho pródigo tornar à casa feliz após dar uma informação precisa a um estranho no ninho, que fora apenas comprar um doce típico.

 Se a supraescrita Trindade for resumida, a moral da história é a inocência sendo salvaguardada pelo conhecimento bucal e pela ação humana. A boa ação: a matrícula na escola, a verba do Orçamento para escola, a escolha de um representante no governo que dará prioridade a manter as crianças vivas e sorridentes. Com dentes. Quando entendermos isso saberemos que Mozart é igual a MC kevinho. A revolta dos cabelos austríacos é tão estridente quando a sonoplástica linguagem favelizante: somente a arte salva mediante a sociedade ignóbil. Somente o dia de feriado de um novo ano dá diversão praieira fora dos santos domingos às crianças regularmente matriculadas nas escolas. E com dentes.


" Quando você olha para o abismo ele olha de volta para você"


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Palavra relevante

Palavras relevantes.
Palavras revelantes.
À revelia,
Revelou-me a fotografia.
Era colorida
Em preto e branco.
Nero e Bianca.
Nu e cru.
Nua a Lua,
Relevo horizontal,
Demos Oi e tchau
Em uma só palavra
Relevante.
Revelante.

Quem sou eu (em agosto de 2012, pois quem se define se limita, dizem)

Minha foto
Mais preocupado com a criatura do que com o criador. Existem perguntas muito complicadas. Existem respostas muito complicadas. Existem pessoas que não são complicadas. Existem pessoas que tentam complicar. Eu sou aquela que procura entender; complicando un peu primeiro para poder descomplicar. Quero dizer: se eu entender o problema de forma completa, poderei encontrar a solução mais correta, eu acho. Um sonhador, dizem. Mas não creio apenas em sonhos. Gosto mesmo é da realidade, empírica ou não. Gosto de estudar sociologia e biologia. Sou acima de tudo, e pretensamente, um filósofo, no sentido mais preciso da palavra: o sentido do amor a sabedoria, ao saber. Mas a vida é para ser levada com riso e seriedade. Sabendo-se separar uma coisa da outra, encontraremos nosso mundo, nosso lugar, nossa alegria. Nossa Vida, com letra maiúscula! "o infinito é meu teto, a poesia é minha pátria e o amor a minha religião." Eu. Um ídolo: Josué de Castro; um livro: A Brincadeira (Milan Kundera) ; um ideal: a vida.